Nota de Solidariedade do Conselho Cearense dos Direitos da Mulher para Mariana Ferrer
11 de novembro de 2020 - 08:58
O Conselho Cearense dos Direitos da Mulher (CCDM), organismo de controle social das políticas para as mulheres do Estado do Ceará, vem manifestar a sua indignação e repúdio, em razão dos últimos fatos ocorridos no julgamento do processo de Mariana Ferrer.
Nosso papel institucional é de proteção aos direitos das mulheres e intransigente defesa destes direitos. Repudiamos o fato de que uma mulher ter que implorar para ser respeitada durante um processo judicial, em que se faz presente na forma de vítima, e que por todos os agentes envolvidos neste ato, foi desrespeitada e humilhada, por meio de argumentos machistas, misóginos e atentatórios de sua dignidade.
Lamentamos que as estruturas de poder do patriarcado e do machismo tenham se sobreposto às diretrizes da Justiça, a fim de levar os operadores da lei, em questão, a nortearem –se por falsas pretensões e estratégias processuais de defesa que ocasionaram a absolvição do réu. A banalização da cultura do estupro e a seletização do sistema judiciário proferiram um espetáculo cruel e desumano, sinalizando a sociedade Brasileira, o quanto ainda precisamos lutar para ver valer os direitos de nossas mulheres, um verdadeiro retrocesso.
O estupro é um crime hediondo, que sempre foi utilizado como arma de opressão, dominação e punição contra as mulheres. Uma prática de violência contra todas, independente de raça, idade e gênero, tornando seus corpos meros objetos de satisfação da sexualidade masculina, por meio da humilhação, submissão e objetificação.
O resultado desse julgamento afronta e banaliza a violência contra as mulheres, e legitima a cultura do estupro, inaceitável em uma sociedade democrática. Permaneceremos acompanhando este caso e através dele daremos luz a muitos outros, que infelizmente acontecem e revitimizam muitas mulheres, tal como o caso Mariana.
Permaneceremos unidas e vigilantes, para que a justiça seja feita.
Uma luta não só da Mariana, mas de todas as mulheres, pois não existe ESTUPRO CULPOSO.
Fortaleza, 06 de novembro de 2020.