Ceará feito a mão: CeArt percorre Aracati e amplia o acesso à Identidade Artesanal

27 de janeiro de 2026 - 16:47 #

Assessoria de Comunicação da SPS
Texto:
Daniel França
Fotos: Mariana Parente

Quando Maria Raimunda Dias começou a fazer crochê e bordado, em 2008, não imaginava que o artesanato se tornaria seu principal meio de sustento. Após um acidente de trabalho, foi no fazer manual que ela encontrou uma forma de recomeçar. Histórias como a dela se repetem em Aracati e em outros municípios cearenses, onde a Central de Artesanato do Ceará (CeArt) esteve para realizar os testes de habilidades e garantir o acesso à Identidade Artesanal.

Coordenada pela Secretaria da Proteção Social (SPS), a CeArt percorreu o litoral do Aracati, em Canoa Quebrada e Majorlândia, para efetuar a política de descentralização dos atendimentos. A iniciativa facilita o acesso de artesãs e artesãos aos serviços públicos, ampliando o reconhecimento profissional, o acesso a direitos, políticas públicas e oportunidades de geração de renda.

A Identidade Artesanal é um documento oficial que permite ao profissional participar de feiras e eventos institucionais, acessar capacitações, concorrer a editais do setor e obter isenção fiscal. Em 2025, o Ceará emitiu 4.168 carteiras de artesão, um esforço que fortalece a atividade como um pilar econômico e cultural.Para descentralizar o acesso aos serviços, ações de ampliação foram realizadas, alcançando 108 municípios cearenses.

Maria Raimunda Dias, uma das artesãs atendidas em Aracati, destaca a importância da ação para a sua rotina de trabalho. “Chegou no momento mais difícil da minha vida. O artesanato me salvou. Saí da depressão, recuperei minha autoestima e hoje vivo disso”, relata.

Um dos espaços que recebeu a equipe da CeArt foi a Associação Canoa Mulher, referência na formação de mulheres artesãs. Atualmente, a associação atende cerca de 60 mulheres, com oficinas semanais de crochê, pintura, bordado, costura criativa e macramê, além da participação em feiras locais e regionais. Para Alzenir Sousa, integrante da diretoria do espaço, o artesanato também cumpre uma função importante. “Aqui é um espaço de convivência. Para muitas mulheres, é um dos poucos momentos de lazer da semana. Além disso, elas aprendem uma profissão e conseguem gerar renda”, explica.

A bordadeira Elisângela da Silva participa da associação há quase dois anos. Sem experiência anterior, ela aprendeu a bordar no espaço e hoje se dedica ao bordado livre. “Eu achava que não era capaz. Hoje, cada peça que faço me mostra que eu consigo aprender e produzir”, conta.

Os testes de habilidade também incluíram técnicas tradicionais do litoral cearense, como os desenhos com areia colorida em garrafa. Carlos Eduardo, que atua há mais de 15 anos na área, destaca a importância da sua carteira. “Eu queria tirar essa carteira há muito tempo. Agora posso participar de eventos e apresentar meu trabalho com mais segurança”, afirma.

Tradição e saberes do Labirinto
No labirinto, técnica artesanal tradicional da região, as histórias de vida se misturam com o próprio fazer manual. Aos 79 anos, Maria do Rosário segue produzindo diariamente. “Se eu parar, eu não me sinto bem. O labirinto faz parte da minha vida”, conta.

Reconhecida como mestra da cultura, Maria Biatriz é referência para outras labirinteiras da região. Além de produzir, ela orienta e acompanha o trabalho de outras artesãs, contribuindo para a continuidade da técnica. “O artesanato representa trabalho, autonomia e identidade, além de ser uma forma de manter viva uma tradição aprendida ainda na infância.”

Para Ticiane Gomes, orientadora da Célula de Produção Artesanal da CeArt, o atendimento nos territórios fortalece o setor. “Quando a CeArt vem até os artesãos, facilita o acesso aos serviços e reconhece saberes que muitas vezes ficam invisíveis. O teste de habilidade é um momento de escuta e de valorização do trabalho artesanal”, destaca.

Os artesãos cearenses que buscam obter a identidade artesão contam com a opção de atendimento remoto, por videochamada, oferecida pela Central de Artesanato do Ceará (CeArt). Para o atendimento presencial, os interessados podem se dirigir às unidades da CeArt em Fortaleza e Juazeiro do Norte, buscando o setor de produção artesanal.
Como obter a Identidade Artesanal

Opções de atendimento:
Presencial: Unidades da CeArt em Fortaleza e Juazeiro do Norte (setor de produção artesanal).
Remoto (Videochamada): WhatsApp: 85 98838 4618.

Documentos necessários:
– Documento de identificação com foto
– CPF
– Comprovante de residência atualizado
– Uma peça artesanal pronta e o material para o teste de habilidade.