Crianças exercitam liderança com participação nos Comitês da Infância
9 de março de 2026 - 16:48 #Complexo Mais Infância #Mais Inf #Mais Infância Ceará
Assessoria de Comunicação da SPS
Texto: Daniel França
Fotos: Mariana Parente

Na próxima quinta-feira, 10, os Complexos Sociais Mais Infância, equipamentos coordenados pela Secretaria da Proteção Social (SPS), realizam as eleições dos Comitês da Infância de 2026. O processo acontece simultaneamente nas unidades e fortalece a participação ativa de crianças de 6 a 11 anos que ajudam a decidir os rumos dos equipamentos em que frequentam.
Criado como instância de escuta e diálogo, o Comitê da Infância é definido como um espaço de protagonismo infantil, voltado à construção, acompanhamento e avaliação das ações desenvolvidas nos territórios. Na prática, isso significa que as crianças podem opinar sobre melhorias estruturais, propor novas atividades e contribuir para a organização do cotidiano dos Complexos.
Atualmente, o Ceará conta com quatro Complexos Sociais Mais Infância, localizados em Fortaleza, nos bairros Curió, João XXIII e Cristo Redentor, além de uma unidade em Barbalha, na região do Cariri. Para a pedagoga da SPS, Luísa Rocha, incentivar a liderança desde cedo é um investimento no presente e no futuro das comunidades. “Quando a criança entende que pode opinar, propor e ser escutada, ela desenvolve senso de responsabilidade, pertencimento e cidadania. O protagonismo na infância fortalece vínculos, amplia a consciência coletiva e forma sujeitos mais participativos e seguros”, destaca.
Liderança que começa cedo

No Complexo do João XXIII, Maria Isabela, 10 anos, estudante do sexto ano, é uma das candidatas à reeleição. Veterana no processo, ela já viu propostas saírem do papel. “O comitê é a capacidade das crianças terem liderança. É para desenvolver a criança e ajudar a entender mais as coisas”, afirma.

Entre as conquistas que acompanhou estão a melhoria do teto da quadra e o conserto dos brinquedos. “A gente pediu e isso foi feito.” Giovana Souza, 11 anos, é candidata pela primeira vez. Bailarina no Complexo há dois anos, ela também pratica luta e joga vôlei. Sua motivação é direta. “Quero trazer melhorias para o complexo. Melhorar os lanches e também trazer novas atividades, como ginástica.”
Durante a campanha, as crianças produzem cartazes, gravam vídeos e conversam com colegas para apresentar propostas. Conforme as orientações do processo eleitoral, a campanha tem caráter educativo, participativo e informativo, sem favorecimento ou pedidos individuais de votos.
Para João Gabriel, 14 anos, que integrou o comitê em 2024, a experiência impactou também suas postura pessoal. “O comitê é um lugar de aprendizado. A gente fala sobre cidadania e ajuda a organizar o complexo.” Ele conta que mudou o comportamento após a experiência. “Antes eu era mais bagunceiro. Depois aprendi a ser mais organizado. Hoje eu brinco, mas sei que tudo tem seu tempo.”
Durante seu mandato, o grupo propôs melhorias como a cobertura da quadra, reforma do parquinho, manutenção da academia e instalação da porta de vidro e ar condicionado na sala de dança. “Fizemos as propostas e elas foram atendidas.”
Letícia Vitória, 12 anos, que participou em 2024 e 2025, destaca outro ganho. “Eu era muito envergonhada. No comitê eu tinha que falar, me apresentar. Fui perdendo a vergonha.” Ela também acompanhou mudanças estruturais a partir das sugestões do grupo. “Foi muito bom perceber que nossas sugestões foram válidas.”
Novas vozes em movimento

No Complexo do Curió, Moisés Aristides, 10 anos, também participa pela primeira vez da eleição. Para ele, o comitê é um espaço onde as crianças podem se sentir bem e contribuir para que o ambiente continue acolhedor. Entre suas propostas estão a criação de aula de canto e o cuidado permanente com os espaços livres. “Quero que os lugares onde a gente brinca nunca fiquem quebrados, para todo mundo poder usar sempre”, afirma.

Maria Victória, 11 anos, acredita que o comitê é uma oportunidade de aprendizado. “Eu acho que no comitê as crianças aprendem mais”, resume. Candidata este ano, ela defende a ampliação das atividades ofertadas, como a inclusão de aulas de ginástica, e pretende conversar com os colegas para apresentar suas ideias durante a campanha.
O protagonismo infantil também é percebido em casa. Francisca de Lima acompanha o filho Jonathan Salvador, 10 anos, candidato este ano. “Eu vejo que ele está crescendo e aprendendo a buscar os direitos dele, não só para ele, mas para os amigos e para a comunidade.”

Jonathan resume o comitê com simplicidade. “É tipo votar, ter a caixa de votos. É para melhorar as coisas.” Entre suas propostas estão curso de espanhol, cobertura do campo, sala de luta, mais variações nas atividades e sugestões para o lanche, como sorvete nos dias quentes e chocolate quente nos dias frios.
O processo eleitoral segue cronograma oficial, com inscrições, apresentação igualitária dos candidatos, campanha informativa, votação secreta, apuração e diplomação. Cada unidade elege 18 crianças, sendo 12 titulares e seis suplentes.