Oficinas fortalecem articulação da rede de proteção a crianças e adolescentes no Ceará

14 de maio de 2026 - 08:41 #

Assessoria de Comunicação da SPS
Texto:
Daniel França
Fotos: Claudio Rocha


SPS realiza formação que reúne profissionais dos 184 municípios cearenses e fortalece o trabalho integrado entre a rede de proteção especial

Às vésperas do 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de crianças e adolescentes, profissionais da assistência social de todo o Ceará têm participado de formação voltada ao fortalecimento da rede de proteção no estado. Realizadas pela Secretaria da Proteção Social (SPS), na Escola de Gestão do Sistema Único da Assistência Social (Suas), em Fortaleza, as oficinas de interlocução entre o Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi) e o Serviço de Acolhimento para Crianças e Adolescentes estão reunindo representantes dos municípios da Região Metropolitana e do Centro Sul do Ceará.

Os encontros começaram em abril e seguem trazendo profissionais da Média e Alta Complexidade do Sistema Único de Assistência Social (Suas), além de equipes dos Cras, Creas, serviços de acolhimentos e Conselhos Tutelares dos 184 municípios cearenses.

A iniciativa pretende qualificar 1.053 agentes, distribuídos em 13 turmas, reunindo representantes de todos os municípios do Ceará. A próxima etapa da programação acontece nos dias 19 e 20 de maio, com participantes da região do Cariri. Já nos dias 21 e 22, as oficinas serão realizadas com a profissionais de Fortaleza.

A proposta é fortalecer a articulação entre os serviços da rede socioassistencial e aprimorar os fluxos de acompanhamento das famílias, buscando promover a reintegração familiar de crianças e adolescentes sem reincidência de violações de direitos.

Coordenadora da Proteção Social Especial da SPS, Mônica Gondim explica que a iniciativa surgiu da necessidade de aproximar os diferentes equipamentos e profissionais que atuam diretamente com situações de risco social. “Percebemos, ao longo do trabalho, que não conseguimos superar as violações de direitos se não houver o que chamamos de referência e contrarreferência dentro da assistência social. Isso significa que a Proteção Social Básica, a Proteção Social Especial, os serviços de acolhimento, os técnicos e o Conselho Tutelar precisam conversar entre si e compreender o papel de cada um”, destaca.

Mônica reforça que o objetivo central da formação é garantir um atendimento mais qualificado para a população. “Quando os serviços funcionam de forma integrada, o atendimento acontece em rede, como uma esteira de cuidado. Quando todos conhecem seus papéis, conseguimos prestar um atendimento mais qualificado e fazer os encaminhamentos corretos”, afirma.

A servidora da Proteção Social Especial e responsável pela Média Complexidade, Heurenice Moura, destaca que o Estado atua tanto na coordenação da política quanto no apoio aos municípios. “Nós oferecemos apoio técnico, como estamos fazendo aqui hoje, e também no apoio financeiro, por meio do cofinanciamento estadual dos serviços”, pontua.

Rede Articulada

Na prática, a oficina reúne profissionais que atuam em diferentes etapas do atendimento socioassistencial. Do acolhimento inicial realizado pelos Cras e Conselhos Tutelares ao acompanhamento especializado desenvolvido pelos Creas e unidades de acolhimento.

Conselheiro tutelar de Paracuru, Hilton Castro avalia que os encontros ajudam a fortalecer o alinhamento entre os serviços. “Esses encontros servem justamente para isso: trocar experiências com colegas de outros municípios, compartilhar ideias, aprender sobre mudanças nas leis e fortalecer o trabalho da rede de proteção”, afirma.

No município de Horizonte, o assistente social Paulo Igor atua no Creas acompanhando famílias em situações de violência e violação de direitos. Segundo ele, o serviço funciona como um suporte para superar essas situações. “O Creas atua em situações de violação de direitos, buscando favorecer que as famílias consigam superar essas situações. Fazemos atendimentos com psicólogos e assistentes sociais, visitas domiciliares, estudos de caso e ações de abordagem social”, relata.

A articulação entre os serviços também é fundamental dentro das unidades de acolhimento institucional. Diretora da Unidade de Acolhimento Renascer, Beth Pinheiro explica que o trabalho da instituição depende diretamente da integração com os municípios de origem dos adolescentes acolhidos. “O nosso público é formado por adolescentes do sexo masculino, de 12 a 18 anos incompletos. Trabalhamos todas as demandas desses adolescentes com o objetivo principal do retorno familiar”, afirma.

Segundo ela, assim que um adolescente é acolhido, a unidade comunica oficialmente o município, o Creas, o Cras e o Conselho Tutelar para garantir que o acompanhamento aconteça de forma conjunta. “A rede não trabalha sozinha. Cada equipamento desenvolve o seu papel e, juntos, unimos forças para proteger esse adolescente e restabelecer os vínculos familiares”, destaca.