Caminhada do Maio Laranja mobiliza comunidade do Serviluz no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes
15 de maio de 2026 - 15:57
Assessoria de Comunicação da SPS
Texto e fotos: Daniel França

Organizada pela SPS e parceiros da sociedade civil, ação reuniu moradores, equipamentos públicos e organizações sociais em um movimento de conscientização pelas ruas do território
Em meio às ruas do Serviluz, cartazes erguidos pelas mãos de crianças, jovens, mães, idosos e representantes de instituições públicas e sociais deram o tom da Caminhada do Maio Laranja, realizada nesta sexta-feira (15). Com ponto de partida no Centro Comunitário Santa Terezinha com direção ao Cits Mucuripe, a caminhada reuniu moradores e equipamentos do território em um movimento coletivo de conscientização e enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescente.
A ação integra a campanha estadual Maio Laranja, promovida pela Secretaria da Proteção Social (SPS) em alusão do 18 de maio, Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Ao longo do mês, a Secretaria realiza uma série de atividades educativas, rodas de conversa, formações e mobilizações comunitárias no Ceará.
O momento representou a união de forças entre comunidades, escolas, organizações da sociedade civil e equipamentos públicos. Participaram da mobilização representantes do Centro Comunitário Santa Terezinha, Cras, Cits Mucuripe, Rede Aquarela, Na Paz, escolas do território, Instituto IJCPM, Instituto Terre des Hommes, entre outros parceiros.
A coordenadora do Centro Comunitário Santa Terezinha, Denise Favacho destacou que a união entre os equipamentos ampliou o alcance da ação e fortaleceu o diálogo com a população. “Hoje, a gente está fazendo aqui uma caminhada para conscientizar as pessoas do território sobre a violência sexual e o abuso infantil. A gente se uniu pra fazer uma caminhada bem grande mesmo, pra realmente as pessoas do território perceberem e essa conscientização chegar em quem precisa ter conhecimento”, afirmou.

Ao longo do percurso, moradores acompanharam os cartazes, panfletos e palavras de orientações distribuídas pelos participantes. Entre elas estava Maria de Salete de Queiroz, integrante do grupo de idosos do Cras, no projeto Castelo Encantado. “Tem muita violência contra as crianças. Tem gente matando, abusando, fazendo muita coisa ruim. A gente precisa falar sobre isso para que as pessoas saibam o que fazer e pra onde recorrer”, disse.

A caminhada também reuniu adolescentes e jovens. Beneficiária do Cits e participante do programa Primeiro Passo, Darl Lohana, de 18 anos, destacou a importância de criar espaços de diálogo para que vítimas se sintam acolhidas. “Muitas vezes, quando acontece esse tipo de coisa, as crianças se fecham. Às vezes pode ser um parente e elas ficam sem saber se devem falar. Então, fazer cartazes, palestras e falar sobre isso conscientiza muita gente e mostra que ninguém tá sozinho”, afirmou.
Também beneficiário do Cits, Matheus Rodrigues, de 19 anos, reforçou a necessidade de abordar o tema desde cedo. “É um assunto delicado, mas importante. As crianças precisam ter noção do que acontece e saber como se proteger. Não importa a idade, todo mundo precisa participar dessa conscientização”, pontuou.

Para muitas mães presentes, a mobilização também representou um espaço de escuta, proteção e empatia. Leticia Lima, de 23 anos, participou da caminhada e pensou no filho de dois anos. “Para mim, enquanto mãe, é importante falar sobre esse assunto. Não significa que isso aconteceu na minha casa, mas é importante saber sobre, falar sobre e conscientizar outras mães também”, relatou.

Assessor técnico do Instituto Terre des Hommes, Josiberto Sousa explicou que a caminhada faz parte de uma articulação intersetorial construída entre comunidade, organizações sociais e equipamentos públicos do território. “Essa caminhada é feita por muitas mãos e tem o propósito de chamar a atenção da comunidade para uma violência tão severa, que até hoje impacta a vida de várias crianças e adolescentes”, afirmou.
Segundo ele, prevenir a violência sexual passa pelo diálogo dentro de casa, pela orientação nas escolas e pela atuação conjunta da rede de proteção básica. “A intersetorialidade é fundamental porque a gente não faz nada sozinho. O fortalecimento do enfrentamento à violência sexual depende da união entre equipamentos governamentais, organizações da sociedade civil, famílias e comunidade. Juntos somos mais fortes”, concluiu.