Em clima de Copa, Zona Viva Jangurussu resgata tradição de colorir a comunidade e reunir moradores em torno do futebol

22 de maio de 2026 - 11:41 # # # #

Assessoria de Comunicação da SPS
Texto:
Rafaela Leite
Fotos: Mariana Parente


Muito antes do apito inicial, a Copa do Mundo já começou no Residencial José Euclides, no Jangurussu. Entre pinturas espalhadas pelo chão, bandeirinhas e paredes ganhando tons de verde e amarelo, crianças, adolescentes e adultos transformam o espaço em uma grande arquibancada comunitária, como acontecia nas ruas brasileiras entre os anos 1990 e o início dos anos 2000.

A mobilização é realizada pelo Zona Viva Jangurussu, equipamento cultural e tecnológico do Governo do Estado, coordenado pela Secretaria da Proteção Social (SPS). A proposta é resgatar a tradição de decorar ruas durante a Copa do Mundo e reacender, entre os moradores, essa paixão nacional, que além de alegria, promove encontros, convivência e novas amizades.

É o caso dos moradores do José Euclides, Thierry (10) e Samu (10). Colegas de escola, eles contam que a amizade nasceu mesmo na quadra 6 do Residencial, onde fortaleceram os laços com dribles, passes e vitórias. Hoje, fora dela, dividem passeios de bicicleta, brincadeiras no parquinho e as atividades do Zona Viva Jangurussu. Por isso, quando souberam da preparação da unidade para a Copa de 2026, decidiram não ficar de fora.

“Eu cheguei aqui, aí tava pintando. Primeiro foi o campo. Aí eu vim. O grafite é muito legal”, conta Thierry, observando os desenhos que já tomam conta do espaço.

Morador do bairro desde que nasceu, ele diz que nunca tinha visto o condomínio mobilizado daquela forma. “Eu acho que assim, nós moramos na periferia, e é difícil ver isso. Então é legal. Nunca tinha visto enfeitado assim, tá sendo a primeira vez”, afirma.

Já Samu conta que deixou sua marca na decoração. “Eu fiz o jogador ali, mas só um pouquinho”, diz orgulhoso, apontando para um dos desenhos espalhados pelo espaço. Apaixonado por futebol, ele já imagina como será assistir aos jogos da Seleção ao lado da comunidade. “Quando tá todo mundo junto, assistindo, dá aquela sensação de agonia. É muita emoção, cara”, afirma.

Coordenador do Zona Viva Jangurussu, Airton Gleisson lembra que essa é uma ideia “das Copas passadas, que foi se perdendo”. “A nossa tentativa é de resgatar isso que já era feito antes, animar, criar um cenário com essa ambientação de Copa do Mundo, para dar esse entusiasmo e envolver as crianças e a comunidade nisso”, ressalta.

Segundo ele, a proposta vai além da decoração. “Quando eles vêm aqui e fazem um desenho, ajudam a construir e pintar um desenho, eles sabem que aquele desenho também é deles, tem esse pertencimento”, acrescenta.

Memória afetiva que atravessa gerações

Quem também entrou na mobilização foi Analice Viana (23). Moradora do residencial há nove anos, ela participa das atividades como voluntária ao lado das filhas Mavie (1) e Maitê (5). “Foi a primeira vez, em todos esses anos que moro aqui. Primeira vez que aconteceu, que eu participei, e a gente fica muito animado. Sempre quando eu posso, eu trago neném, a gente ajuda. Pintamos quase tudo: o chão, as paredes para botar o telão. A Maitê saiu toda pintada, mas participou”, disse entre risos.

A atividade acontece depois das aulas do curso de Depilação, que ela frequenta de segunda a sexta no Zona Viva. “Dá super orgulho ver o residencial assim, e fora que os moradores estão ajudando. A comunidade super se reúne neste momento. E o pessoal está voltando o amor, como tinha antes pela Copa. Esse ano, lá em casa, nós preparamos todo mundo, compramos camisa. Vamos assistir aqui no Zona Viva”, completou.

Foi a memória afetiva que também levou Karine Lopes (47) a se voluntariar na decoração. Ela relembra que cresceu participando dos preparativos para os Mundiais. “Do tetra pra cá eu sempre pintava rua. A gente tem uma memória afetiva disso tudo. É bom reviver novamente”, conta.

Para ela, a iniciativa aproxima gerações. “Estou vindo com minha filha, Bruna, e minha neta. Hoje em dia, as crianças só querem saber de celular. Então é importante trazer isso de volta, para os mais novos aprenderem e viverem essa experiência”, ressalta.

Amarrando as bandeirinhas ao lado da mãe, Bruna (27) conta que participou da decoração para a Copa apenas uma vez, em 2014. “É como se fosse uma nostalgia, né? Voltar no tempo de novo, quando eu era pequena, pintando as ruas. É como se você estivesse voltando a ser criança de novo”, observa.

Preparativos para o Mundial

As atividades de preparação seguem até o dia 11 de junho. Durante esse período, moradores ajudam diariamente a pintar o espaço, confeccionar bandeirinhas e montar a ambientação para os jogos.

A expectativa é que a mobilização ultrapasse os limites do Zona Viva e inspire outros moradores a colorirem o residencial. “A gente quer transformar o residencial inteiro nessa grande torcida, nessa grande arquibancada para ver a Copa do Mundo”, reforça Airton Gelisson.

Durante o Mundial, os jogos serão exibidos diariamente na unidade. Antes das partidas da Seleção Brasileira, o público poderá participar de atividades como videogame no telão, experiências com óculos de realidade virtual, bolões e rifas de camisas da Seleção.

“Para muitas crianças, essa vai ser a primeira Copa de verdade, porque na Copa de 2022 eram muitos pequenos. E é uma descoberta para eles. Eles estão descobrindo essa tradição em conjunto”, conclui o coordenador.

Zona Viva Jangurussu

Endereço: rua A, SN, Residencial José Euclides, Quadra 10B, Bloco 7 – Jangurussu, Fortaleza