Residências Inclusivas: Cuidar de um é cuidar de toda a casa

8 de outubro de 2020 - 17:33

Coordenadora das residências I e II, Patrícia Parente, explica que o trabalho é feito pensando no grupo de residentes. Se dentro da casa, um não está bem, afeta todos os outros como um efeito dominó. “Nós desenvolvemos dinâmicas de grupo e temos alcançado respostas muito positivas”, conta a coordenadora, orgulhosa ao lembrar de Fábio, um dos meninos da residência I, que recentemente entrou no mercado de trabalho. “Eu fico muito orgulhosa de ver ele assumindo esse compromisso com tanta seriedade”, conta a coordenadora.

As residências III e IV também trazem histórias de evolução. A psicóloga das duas unidades, Naira Castelo Branco, conta como esse processo de inserção social tem refletido positivamente na resposta deles aos estímulos externos. “Depois que passamos a ter esse contato mais próximo, conseguimos criar um vínculo mais forte e de confiança com eles”, explica Naira, lembrando que a interação com a vizinhança também trouxe um novo sentido de existência para eles. “Não são só os meninos que ganharam com essa mudança, a comunidade também ganhou uma oportunidade preciosa de conviver com cada um deles”, explica.

“É muito importante quando uma política pública desenvolvida para um setor chega à comunidade como um todo. Esse cuidado é algo coletivo”, destaca o secretário-executivo de Proteção Social da SPS, Francisco Ibiapina, lembrando que a residência mais nova fica ao lado de uma Areninha. Em breve, teremos esses homens e mulheres acolhidos na Residência aproveitando desse espaço e, se possível, compartilhando com toda a vizinhança.

             

Andrea (25) chegou ainda criança no Adoc, mas nunca perdeu o contato com a mãe que mora no interior. Naira conta que elas têm uma relação de muito carinho uma com a outra e que estavam caminhando para um retorno gradual de Andrea para casa. “A deinha tem um tipo raro de esquizofrenia e faz tratamento em mais de um espaço de saúde aqui de Fortaleza, se voltasse para casa da mãe agora seria muito complicado para seguir com o tratamento que ela precisa” explica a psicóloga.

A transferência dos abrigados do antigo Adoc para as residências iniciou em julho de 2018, quando foram inauguradas as casas I e II, e logo em seguida, em dezembro do mesmo ano, foram também inauguradas as casas III e IV. Neste último mês de setembro foi inaugurada a residência V, que é também casa terapêutica, pois abriga um público com um comprometimento mais acentuado.

A terapeuta ocupacional Karla Rocha, que atua na Residência V, conta que os perfis são diversos, mas todos com deficiências neurológicas e transtornos psiquiátricos. “São jovens e adultos, muitos deles crescidos em abrigos e vêm de uma vida institucionalizada. Eles têm muitos comprometimentos, físicos e psicológicos, e nosso maior desafio é estimular as potencialidades de cada um, a partir de atividades simples e cotidianas, como cuidar da nossa hortinha”.

 

Fotos: Sheyla Castelo Branco